Desde a fundação da Irmandade, em 1856, com posterior elevação à Confraria em 1869, e a construção de seu tempo inaugurado em 1868, foi sendo constituído um importante e vasto legado de bens móveis e integrados, fundamental para a preservação e resgate da memória e da história, em âmbito local e regional. Datado entre o século XVIII aos dias atuais, é composto por mais de 1000 itens, entre os quais se encontram fotografias de eventos e aspectos da cidade de Limeira; livros manuscritos de registro da Confraria da Boa Morte e de outras entidades religiosas locais, hoje não mais existentes; farta documentação sobre a escola que funcionou no templo nas primeiras décadas do século XX; uma importante e rara coleção de imaginária, paramentos, alfaias e mobiliário; um conjunto de livros impressos datados do século XVIII aos anos 2000; uma coleções de pinturas, gravuras, estampas e outros materiais de importância para a história local; além de uma grande quantidade de itens avulsos que versam sobre temas como história, religião, artes e patrimônio cultural.
O cuidado do acervo cabe ao Centro de Documentação e Memória “Bento Manoel de Barros”, criado no ano de 2014 e instalado nas dependências superiores da Igreja da Boa Morte. Tem por função a salvaguardar dos acervos pertencentes à Confraria da Boa Morte, possibilitando o acesso a pesquisadores e à comunidade em geral. Volta-se também à captação de conjuntos documentais (fundos e coleções) e itens relativos à vida religiosa de Limeira, organizando, preservando e divulgando as informações presentes nos documentos.
A fundação do Centro, entre outros, enquadra-se no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), emitido pelo Ministério Público do Estado de São Paulo em 01 de junho de 2010 e assinado pela Confraria, quando, na cláusula segunda, item II, letra i, fls. 05 e 06, explicita a necessidade de “catalogação e tratamento de todas as peças artísticas e históricas: catalogar todas as obras e documentos depositados, sobretudo, na Capela do Santíssimo e no Coro; esse catálogo deverá conter todas as informações relevantes de todo este conjunto, inclusive com fotos, e com registro dos locais originais onde estavam depositados; realizar trabalho de limpeza e guarda correta de todas as peças”.
Assim, em linhas gerais, o Centro de Documentação e Memória “Bento Manoel de Barros”, tem como fins:
I – preservar a memória e a história da Igreja e Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção, bem como da cidade de Limeira;
II – recolher, conservar, preservar e divulgar acervos documentais da Igreja e Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção, cuidando de seu tratamento, de sua organização e conservação, mantendo a integridade desses documentos, minimizando sua deterioração e os colocando a serviço dos consulentes;
III – Institucionalizar um local de reflexão e produção de conhecimento no campo da história da Confraria de Nossa Senhora da Boa Morte e Assunção, e da vida religiosa de Limeira;
IV – desenvolver atividades relativas à produção, preservação, divulgação e discussão da memória religiosa e civil de Limeira e região;
V – promover cursos relativos aos temas e propostas do campo do patrimônio cultural, em seus diversos âmbitos,
VI - catalogar e inventariar o patrimônio detido pela Igreja e Confraria, com base em critérios arquivísticos, museológicos e biblioteconômicos. Para tanto, busca-se criar uma base de dados para o compartilhamento de informações de todo acervo.
O acervo está organizado em conjuntos documentais, organizados por sua tipologia e/ou proveniência.